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O OUTRO SOMOS NÓS

26/03/2020 Cristian Góes Raízes Culturais

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Olhar o espelho por Simedblack (Fonte: Pixabay)

 

Com este texto, encerra-se a série de artigos em que buscamos discutir a construção das identidades no Brasil, especialmente tentando localizar o Outro, esta figura que imaginamos fora de Nós, porém, como vimos, somos Nós Mesmos

O caminho percorrido nos levou a constatar que o racismo é um elemento chave para entender nossas opções identitárias e que vem se emaranhando nas estruturas mais profundas da sociedade brasileira desde o Brasil Colônia e Império. Ele foi central para o apagamento e eliminação de índios, negros e mestiços pobres.

Vimos que, com a República, o racismo vai sendo reatualizado, ganhado, além de justificativas religiosas e morais, base científica e cultural. Seja nos longos períodos de ditadura, seja nos momentos de ensaios democráticos, o racismo manteve-se intocado. Ele potencializa a imaginação sobre um Outro contra Nós, negro, pobre, criminoso nato, o perigo dos “homens de bem” da nação. 

Mesmo depois da ditadura militar, iniciada em 1964, já no processo de redemocratização do país, a lógica colonialista permaneceu muito viva entre Nós, às vezes aparecendo de forma nítida e, às vezes, dissimulada. Todavia, esta é uma temática que não se enfrenta no Brasil, porque ela se revela como uma dívida que faz com que Nós nos reconheçamos como Outro. É também assim que avalia Maria Bento (2002: 27): “o legado da escravidão para o branco é um assunto que o país não quer discutir. Este silêncio e cegueira permitem não prestar contas”. 

Em alguns casos, nós buscamos uma série de fugas, de inversões e de desconfigurações desse debate sobre este Outro contra Nós e que nos constitui identitariamente. Por exemplo, o humor é um desses modos de fuga em que se acha graça no racismo, no preconceito, na xenofobia. Há outras ações onde as reações ao Outro ficam mais evidentes, por exemplo, qualquer política pública que objetive “compensar” as desigualdades historicamente construídas pelo Estado vai ser duramente criticada, taxada de protecionista, tratada como privilegio aos negros e aos pobres sem “competência”. 

 

Outro que não mudou

É preciso recuar no tempo para lembrar que a Modernidade fez uma intensa propaganda do fim do homem da Idade Média, um ser que estava preso às amarras divinas. Ao mesmo tempo, fazia nascer um sujeito iluminado e racional, centrado nele mesmo. Contudo, para que esse homem moderno se enxergasse assim, foi preciso imaginar um Outro, a sua oposição, uma ilusória diferença radicalizada e intransponível. Visível ou não, o Outro nasce apartado e fabricado como inimigo eterno, monstruoso, estranho, o que ameaça e contra quem nos mobilizamos para eliminá-lo. 

Esse indivíduo moderno, do Renascimento, que identificou no Outro seu oposto negativo, recebeu no século XX o conceito de “sujeito sociológico”, nomeado por Stuart Hall (2006). Esse sujeito, o Nós, acredita ter uma identidade natural e estável, com nítidas posições demarcadas entre o Nós e o Outro. É esse sujeito que recebe a crítica dos Estudos Culturais, em especial porque ele vive entre Nós e, pior, ações identitárias contemporâneas, xenófobas e racistas, tentam preservá-lo, alimentando a ilusão do regaste de sua identidade perdida. É um tiro no pé. Nós Mesmos, vítimas do racismo, sendo racistas. 

A crítica dos Estudos Culturais se justifica porque, de fato, a partir da segunda metade do século XX, com a ideia de um mundo único e global, o homem moderno, fabricado como racional, iluminado, estável passou a experimentar um profundo “descentramento”. No mundo cada vez mais complexo, de fronteiras opacas entre centros e periferias, todos estamos juntos nesta mesma Casa Comum. O Outro está bem próximo, mora aqui, pertence a Nós, Somos Nós Mesmos. Ou seja, o indivíduo que se imaginava com identidade una, natural e fixa tem sido atravessado por várias identidades que o jogam em uma crise existencial.

Isso ocorre desde identidades nacionais às de gênero. Por exemplo, o primeiro Outro apartado do Eu foi a mulher. O mito bíblico da criação diz que Deus a arranca da costela do homem. Fabrica-se uma dicotomia entre Nós. No século XI, esse Outro/mulher será imaginado como a “porta do diabo”, a “inimiga” que leva homens e exércitos ao declínio, o símbolo de impureza que mensalmente tem sangue derramado. Isso se ameniza com Maria, mãe de Deus, que, mesmo depois de parir, continua virgem e imaculada. Percebe? Contudo, onde está, de fato, essa dicotomia radicalizada entre gênero, entre Nós? Qual é a identidade de homem e a da mulher? Quantos Outros legítimos elementos identitários de gênero estão a surgir agora?

Em resumo, estamos mergulhados em um tempo fragmentado, onde as identidades são disputadas. Não apenas o Eu e o Nós perderam as referências, mas também as instituições que nos sustentam. De algum modo, como disse Hall (2006), somos confrontados a todo momento por múltiplas, desconcertantes e transformativas identidades. Assim, este descentramento pós-moderno deixou mais nítido que as identidades são construções políticas. Homi Bhabha (1998: 85) reforça: a identidade “nunca é um a priori, nem um produto acabado”. Entretanto, como o homem uno chegou ao fim? O que levou ao aparecimento das várias identidades?

 

As cinco rupturas

Para entender este processo, recorro a cinco grandes momentos de ruptura nas teorias sociais e ciências humanas, anotados por Hall (2006). O primeiro, a introdução do pensamento marxista, ainda do século XIX, que discutiu a consciência do sujeito, autor de sua história e se percebendo envolvido nas lutas de classe. O segundo momento surge com a ideia de inconsciente de Freud. Por meio dela, as identidades não seriam inatas e conscientes, mas inconscientes, estando sempre incompletas. Por isso, diz Hall (2006: 38), “as partes ‘femininas’ do eu masculino, por exemplo, que são negadas, permanecem com ele [o sujeito] e encontram expressões inconscientes em muitas formas não reconhecidas na vida adulta”.

O terceiro evento de ruptura ocorreu com a linguística de Saussure, que percebeu que o indivíduo não fixa um sentido total e final pela linguagem, uma vez que as palavras trazem “outros ecos de significados” que sempre são colocados em movimento. O quarto momento nasce com o pensamento de Foucault sobre o poder disciplinar das instituições modernas, “poder” que não é fixo, mas ação em todo lugar. E a quinta ruptura vem com a ação dos movimentos sociais, das lutas feministas e antibélicas, das revoltas estudantis e pelo reconhecimento dos direitos civis. Com elas, passa-se a experimentar uma politização direta da subjetividade.

Em resumo, essas rupturas colocaram em xeque o sujeito sociológico porque fizeram perceber que não existe identidade fixa, estável, natural e eterna, mas inúmeras identidades, instáveis e construídas nas relações de poder, em permanente rascunho. Reforça Hall (2006: 13) que “se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda estória sobre nós mesmos ou uma confortadora narrativa do eu”.

Neste ponto, chamo atenção para um aspecto central: apesar de as identidades serem dinâmicas, provisórias e imaginárias, não se pode perder de vista que elas sofrem constantes pressões para concretude, fixação e estabilidade, principalmente diante da invenção do Outro. Insisto: refletir sobre as identidades como fenômeno aberto e em fluxo não significa imaginar um percurso sem rumo, ao sabor de vontades. Este é um campo em disputa que tem, conforme disse Bauman (2005: 26), “muita coerção e convencimento para se consolidar e se concretizar numa realidade (mais corretamente: na única realidade imaginável)”.

 

As disputas narrativas pelas Identidades

O fato é que estamos em plena, curta e conturbada travessia no mundo, em que as narrativas sobre quem somos e que são os Outros estão sempre em disputa. A imagem da identidade natural, predeterminada, marcada por uma diferença radical do Outro não se perdeu no tempo e no espaço. Isso porque a propaganda do mundo único, global e livre ao acesso de todos não se realizou e essa frustração produziu um indivíduo inseguro, com sensação de perda identitária e, pior, com o Outro visível ao lado ou, até mesmo, dentro de casa, dentro de Nós Mesmos.

A partir da segunda metade do século XX, com a ideia de globalização, tem-se a ilusão do mundo ao alcance das mãos e do nascimento de um cidadão do mundo. Todavia, não demorou e esse mundo sem fronteiras, revelou-se como farsa. Os Outros, pobres, negros e periféricos estavam fora desse globo, impedidos de circular/viver. Mesmo assim, alguns tantos conseguiram atravessar rios e muros. Os reflexos disso são a intensificação da narrativa identitária, o uso político do pertencimento do Nós, a retórica de resgate das tradições, como se elas estivessem perdidas ou tivessem sido profanadas pela aproximação do Outro. Esse é um palco real de extrema violência.

Com a globalização, a diferença do Eu e do Nós será radicalizada como a mais perigosa, a mais inimiga e a mais criminosa e, portanto, Ela não deve estar entre Nós. Para retomar a ideia de pertencimento do Nós Mesmos, carregamos nas tintas contra o Outro, mesmo interno, dando-lhe ampla visibilidade. A ameaça sempre foi o Outro, mas agora Ele será a culpa de todos os males e a única solução é o seu extermínio. Não é sem razão que se fortalecem grupos e partidos de direita e de extrema-direita, que intensificam suas retóricas patrióticas, nacionalistas e práticas xenófobas e racistas contra quem aparenta ser o Outro

A lógica de recorrer sempre à identidade nacional objetiva reforçar o Outro, aquele que condenamos antes de conhecê-lo. Aliás, enquanto existir a diferença do Nós, jamais o conheceremos e o reconheceremos. Este Outro emerge no regime de visibilização social como uma incontestável verdade, algo definido a partir de minhas percepções e aprendizados. Nossa relação será sempre de um sujeito, o Nós, diante de um objeto, o Outro. Este Nós é a condição humana. O Outro é a Coisaao meu serviço, sem o humano, sem diálogo, sem contato.

Este Outro tem uma marcação política exaltada para ser facilmente visível e/ou invisível, a depender dos interesses em jogo. Visto à distância, Ele pode ser até o exótico, um negócio explorado pelo turismo, mas aprisionado onde está, longe de Nós. Próximo, o Outro deve ser a mão de obra dócil, muda e dominada. Todavia, será a ameaça e o ódio que ganharão intensa visibilidade a acender fronteiras e garantir sua distância. Assim, de nosso lugar, poderemos descarregar ódios e outras formas de violência contra Eles: Grito com o Outro para dizer que Eu não sou Ele. Também o apago para que Ele não me denuncie como uma semelhança sua.

 

Voltando diretamente ao Brasil: acerto de contas

Mesmo a sociedade brasileira se recusando ao debate sobre Nós Mesmos, sobre o Outro contra Nós, sem querer acertar suas contas com o passado, este apagamento, silenciamento e invisibilização não retêm o passado, não barra as linhas de força de colonialidade que atravessam nosso cotidiano. Em momentos de crises políticas e econômicas mais agudas e visíveis, todos estes rastros racistas de violência contra o Outro ganham inúmeras vozes a externar publicamente a colonialidade viva entre Nós.

Para Daniel Aarão Reis (2014), a partir dos primeiros anos do século XXI, o Brasil iniciou um processo mais acelerando de mudanças, especialmente desaguando em pequenas revoluções, com políticas públicas mais inclusivas. Porém, nos últimos anos, este processo se inverteu profundamente, o que faz Reis (2014: 287) anotar que muitas características do passado não foram extirpadas. Para ele, “a miséria continua assolando e atormentando importante parcela da população. Apesar dos progressos realizados, o país mantém-se como um dos campeões das desigualdades sociais. Os negros e pardos permanecem com chances desiguais, além de ter que suportar atitudes racistas que envenenam o cotidiano das relações sociais. As mulheres ganham menos por trabalho igual. E os homens continuam batendo e matando as representantes da ‘segunda metade do céu’. As preferências sexuais são vigiadas e reprimidas, reproduzindo-se distintas fobias que geram vexames e assassinatos. Quanto às nações indígenas, continuam a ter seus direitos postergados ou pisoteados, sobretudo quando se encontram no caminho dos sagrados imperativos do desenvolvimento econômico. É triste dizer, mas a presença das tradições autoritárias conforma uma sombra que relativiza as ditaduras enquanto rupturas históricas. Elas estão no cerne da sociedade e atravessam diferentes classes e estratos, de alto a baixo da pirâmide social.

De fato, a colonialidade não é ação retórica. O Atlas da Violência 2018, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que a população negra está mais exposta à violência no Brasil. Os negros representam 54% da população brasileira (mas toda a argumentação girou em torno da construção do sujeito brasileiro como negro!), mas são 71,5% das pessoas assassinadas a cada ano no país. Entre o período de 2006 e 2016, a taxa de homicídios de indivíduos não-negros (brancos, amarelos e indígenas) diminuiu 6,8%, enquanto no mesmo período a taxa de homicídios da população negra aumentou 23,1%.

Os negros são maioria entre os trabalhadores sem carteira, entre os não remunerados e entre os domésticos. As mulheres correspondem a 93% desta última categoria. As mulheres negras representavam 56% dos ocupados no trabalho doméstico. O rendimento médio dos homens negros equivale a 66% do auferido por homens brancos com a mesma escolaridade. As mulheres negras, com o mesmo nível educacional das mulheres brancas, percebem 40% da renda dos homens brancos. Na educação, apenas 14% dos jovens de 18 a 24 anos cursam o ensino superior. A frequência de jovens brancos é 2,5 vezes maior se comparada com o acesso de jovens negros a um curso universitário. 

O sistema escravagista, que produziu uma violenta exploração, destituindo o ser de sua condição humana, parece ser um rastro identitário que foi inscrito em nossa travessia e que ainda se revela como cicatriz aberta. A violência é um fermento a fazer aparecer estes traços, marcados pelo autoritarismo. Ao chamarmos atenção da relação histórica de mando/obediência nas disputas pelas identidades, não estamos somente convocando parte do passado, mas refletindo sobre o presente como perspectiva. 

Em um trânsito identitário que insiste na fabricação do Outro, como uma diferença radical de Nós, os rastros de uma sociedade colonial escravista não podem ser desconsiderados. Eles estão presentes e emergem a cada momento, revelando ainda parte de uma cultura senhorial, neocolonialista ou neo-imperalista, e uma sociedade organizada verticalmente, que mantém relações racistas e em que a diferença é fabricada e pontencializada para tentar perpetuar relações de superioridade e inferioridade. 

Outro, enquanto uma alteridade fabricada por Nós, é uma diferença que transita da visibilização que nos constitui como somos e, assim, afastamo-nos dela, para a invisibilização, como parte de uma luta para que Nós não reconheçamos o Outro como nossa semelhança.

Não acertar as contas com o passado-presente e colocar em permanente invisibilização este Outro, seja pelo extermínio, seja por apagamentos sociais, políticos e culturais, é uma ação identitária permanente no Brasil. Esse é um impedimento construído para que não nos enxerguemos a Nós Mesmos, não acertemos nossas dívidas históricas, não para com o Outro, imaginado como um oposto e distante de Nós, mas para com um que habita desde sempre entre Nós

 

A urgência de politizar o encontro de Nós Mesmos

As identidades são um exercício narrativo de poder, de poder dizer e de poder calar e apagar o Outro. Elas se transformaram em fantasias violentas que rompem o humano, criando o Outro como inimigo eterno, confinado em sua classe social e no espaço controlado. Por isso, muito bem diz Said (2011: 28) que, durante o contato entre os europeus e os Outros do Mundo Novo, há mais de 500 anos, “a única ideia que quase não variou foi a de que existe um ‘nós’ e um ‘eles’, cada qual muito bem definido, claro, intocavelmente autoevidente”.

Uma saída para este cerco identitário é politizar o regime de visibilidade, os espaços das narrativas. Ora, se o fenômeno das identidades se utiliza das tramas visíveis - ditas e vistas - para deixar o Outro à mostra e, ao mesmo tempo, torná-lo invisível entre Nós, faz-se necessário interferir neste jogo. A ideia é implodir a lógica majoritária das identidades que nos aparta de Nós mesmos. Politização é a ação no espaço das experiências sociais em que não vamos “reivindicar uma origem para o Eu (e o Outro)”, conforme diz Bhabha (1998: 79). 

Sim, o convite é politizar as narrativas identitárias, ou seja, agir na cultura do encontro entre todos, entre Nós Mesmos. É neste ponto que surge o Ipse, que também é o Mesmo em termos de identidade, não no sentido de uma diferença que está distante, mas de uma Semelhança ao Mesmo, àquele que acolhe as diferenças entre Nós. 

Este Outro imaginado por Mim e por Nós é a própria contradição final do gênero e da condição humana que está entre NósEle é a projeção da diferença que habita em Nós e contra quem lutamos para sufocá-la e, em vão, excluí-la. As ações identitárias que atravessam todas as estruturas da sociedade brasileira, no fundo, impedem que reconheçamos a Nós Mesmos. Este Outro que queremos apagar em vão, ocultar, eliminar, insisto, não está fora de Nós, muito ao contrário, está em Nós Mesmos.

 

REFERÊNCIAS

Bauman, Z. (2005). Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

Bento, M. A. S. (2002). Branqueamento e branquitude no Brasil. In: Carone, I.; Bento, M. A. S. (Orgs.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis/RJ: Vozes, p. 25-28.

Bhabha, H. K. (1998). O Local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

Hall, S. (2006). A identidade cultural na pós-modernidade. 11ª ed. Rio de Janeiro: DP&A.

Reis, D. A. (2014). E assim se fez um país.... In: Reis, D. A. (coord.). Modernização, Ditadura e Democracia. Vol. 5. Rio de Janeiro: Objetiva, p. 285-288.

Said, E. W. (2011). Cultura e imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras.

 

A SEQUÊNCIA DOS TEXTOS SOBRE ESSA TEMÁTICA: 

1 - A fabulação do Outro: herança colonial e a construção das identidades no Brasil.

2 - As identidades e a ideia do Outro: da separação imaginária aos muros reais.

3 - A trajetória manipulada das identidades: da imagem deformada ao controle do Outro

4 - As fantasias da nação e da pátria: ou das formas concretas de nos separar.

5 - A invasão do Novo Mundo: o projeto mercantil-religioso de abuso e apagamento do Outro.

6 - Racismo, a marca visível de colonialidade: uma discussão identitária sobre as raízes do Brasil.

7 - E o paraíso já tinha dono! A partida e a chegada ao Novo Mundo na construção das identidades. 

8 - O sangue indígena banhou o Novo Mundo: a extrema violência é uma de nossas marcas identitárias. 

9 - O amansamento pela cruz: como a pedagogia da inversão é decisiva para as identidades do Brasil. 

10 - O nascimento da "ninguendade."

11 - Escravização negra no Brasil: como o racismo se tornou instituição nacional.

12 - A pedagogia racista: a igreja e a naturalização da violência contra os negros escravizados. 

13  - A visibilização dos invisíveis: ser dono de um escravizado se tornou uma obsessão

14  - Os Outros no Brasil Nação: os educados identitários para definir o Outro para Nós e o Outro contra Nós

15  - Uma República racista: a visibilização dos invisíveis se amplia para o controle e apagamento

16  - O racismo científico: a consolidação de um Outro a ser permanentemente eliminado  

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Cristian Góes

Jornalista. Doutor em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sanduíche na Universidade do Minho, em Portugal. É mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Especialista em Gestão Pública (FGV) e em Comunicação da Gestão de Crise (Gama Filho). É membro da Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas Brasileiros e professor voluntário de Jornalismo na UFS. (cristiangoes_brasil@yahoo.com.br)