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PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS COMEÇOU 2021 EM ALTA

09/08/2021 Larissa da Costa Turismo e Culinária

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Cataratas dos Couros, na Chapada dos Veadeiros.  Fonte: divulgação/ SECOM.

 

Há 20 anos reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, neste janeiro, o parque completou 60 anos e foi eleito um dos 25 melhores do mundo pelo Traveler’s Choice, prêmio anual do TripAdvisor.

A escolha foi feita por meio dos algoritmos do TripAdvisor, site de viagens mais consultado no mundo, para o que foram consideradas tanto a quantidade quanto a qualidade das avaliações dos usuários no período de 12 meses. A beleza natural e a boa infraestrutura fizeram juz à sua eleição como um dos melhores parques naturais do mundo.

Em 2019, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no Nordeste do estado de Goiás, foi concessionado para a iniciativa privada, que vem realizando melhorias na infraestrutura da unidade com novos atrativos, sinalização de trilhas, estacionamento e serviços para promover o lazer em meio à natureza. Em 2020, passou por uma reforma para atender as normas sanitárias e de segurança para a prevenção da Covid-19 e, desde o final de agosto, está em atividade, seguindo as regras impostas em decorrência da pandemia. 

 

A CHAPADA DOS VEADEIROS TEM HISTÓRIA

Seus primeiros habitantes foram os indígenas Avá Canoeiros, Crixás e Goyazes. Em 1592, os bandeirantes abriram as primeiras trilhas. O nome da chapada faz referência aos caçadores de veado-campeiro. Por volta de 1730, começam a chegar os primeiros bandeirantes, tendo como missão mais significativa a Bandeira do Anhanguera. Vinham faiscando o ouro dos riachos e criando as primeiras vilas e arraiais. Traziam consigo escravos negros, que logo fugiam para os vãos entre as montanhas, onde constituíam comunidades isoladas – kalungas – que vivem, até hoje, ao norte de Cavalcante, cidade que foi eixo e matriz da ocupação de toda a Chapada dos Veadeiros.

O marco decisivo para o povoamento da região de Alto Paraíso foi, em 1750, a implantação da propriedade de Francisco de Almeida, a Fazenda Veadeiros, um pequeno núcleo de colonização, no qual foram se agrupando lavradores dedicados à pecuária, ao cultivo de trigo e café. Da decadência do ouro (1780) até o fim do século 19, nada ocorreu nestas paisagens que perturbasse o bucólico dos quintais e do pastoreio.

Em 1912, foi descoberta a primeira jazida de cristal de rocha da região, o que originou um surto de garimpo e o Povoado de São Jorge. Em setembro de 1926, a célebre Coluna Prestes atravessa a Chapada. Cinco anos depois, a serviço do correio aéreo nacional, o brigadeiro Lisias Rodrigues passa por Veadeiros, vindo de São Paulo em direção a Belém, o que rendeu a magnífica obra literária O Roteiro do Tocantins.

Em 1961, o presidente da República Juscelino Kubitschek cria o Parque Nacional do Tocantins, com 625 mil hectares, quase dez vezes maior que a área atual. Com o tempo, parte das terras foi sendo perdida em disputas judiciais, como as das margens do rio Tocantins, em 1972, quando o parque adotou o nome atual. Na década de 80, começou a atrair turistas, mas, somente nos anos 90, a região passou a ser um dos principais polos de turismo do país, tanto por quem procura aventura, quanto por quem quer experiências místicas no meio da natureza.

Atualmente, o garimpo e qualquer tipo de extrativismo contrário às leis ambientais é proibido.  Antigos garimpeiros foram cuidadosamente treinados para exercer a função de guia, e neste propósito de preservar os recursos naturais, a maioria dos moradores das cidades próximas ao Parque Nacional vivem do turismo. 

 

HIDROGRAFIA, FAUNA E FLORA

A Chapada dos Veadeiros é um importante centro dispersor de drenagem, com a maioria dos rios escavando vales em forma de "V". O principal é o Rio Preto, afluente do Rio Tocantins, que compõe várias cachoeiras ao longo de seu curso, com destaque para dois saltos, respectivamente com 80 e 120 metros de queda. 

Na fauna, cerca de 50 espécies são classificadas como raras, endêmicas ou em risco de extinção. No tocante à flora, já foram identificadas 1.476 espécies das 6.429 no Cerrado.

As espécies vegetais proeminentes no Cerrado aberto são o pau-terra-vermelho, a cajueiro-bravo-do-campo, o murici-rói-rói, o caju-do-cerrado e as mandioqueiras. Nas matas de galeria, destacam-se o ipê-roxo, copaíba, aroeira e tamanqueira. Há, ainda, a ocorrência de jerivá e viuvinha e, nos baixios, de buriti e babaçu. 

Entre os mamíferos, quatro estão ameaçados de extinção: o cervo-do-pantanal, o veado-campeiro, seu predador natural, a onça-pintada e o maior canídeo americano, o lobo-guará. As aves de mais destaque são a ema, o urubu-rei, e o gavião.

 

BONITO DE VER E BOM PARA FAZER

A entrada oficial do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é na Vila de São Jorge. E, por lá, chega-se às principais atrações. A área é toda sinalizada, e as trilhas autoguiadas, o que desobriga o turista da contratação de um guia. Ao todo, são quatro trilhas principais que compõem o percurso. As mais populares são a Trilha dos Saltos e a Trilha dos Cânions. 

A mais indicada para aventureiros é a Trilha das Sete Quedas, com pernoite em camping. Para quem prefere um circuito mais ameno, a Trilha da Siriema é a recomendada. As trilhas acompanham por belíssimas cachoeiras e rios, onde há sempre a possibilidade de dar um mergulho nas águas cristalinas.

Ao entrar no Parque Nacional, todos os turistas são convidados a assistirem a um vídeo educativo, contendo instruções em que se destacam cuidados básicos para evitar acidentes e dicas para proteger a Chapada dos Veadeiros (especialmente de incêndios). O vídeo também explica o funcionamento do percurso autoguiado das trilhas, em que setas coloridas indicam o rumo certo. Cada trilha é marcada com uma cor específica para facilitar o deslocamento do turista.

 

INFORMAÇÕES ÚTEIS PARA CHEGAR AO “PARAÍSO” 

A Vila de São Jorge, por onde se entra para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está à distância de 37 quilômetros de Alto Paraíso de Goiás. A partir do centro de São Jorge, há um quilômetro de estrada de terra até a portaria do parque. O estacionamento é privado custa de R$ 15 por veículo. Mas também se pode deixar o carro no centro de São Jorge e subir a pé. 

Taxa de visitação e contratação de guia – Diferente de alguns anos atrás, não é mais obrigatória a contratação de guia. Os turistas podem fazer as trilhas por conta própria em trechos autoguiados. Caso não se sinta confortável ou seguro para tanto, contrate um dos guias credenciados para o passeio. O ingresso é individual e custa R$ 18, estrangeiros pagam R$ 36 e residentes do Mercosul, R$ 27. Os moradores locais pagam apenas R$ 4.

Onde comer no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – No parque, não há venda de comidas ou bebidas. Na portaria, há banheiros e bebedouros. Do lado de fora, quiosques e barracas vendem lanches e bebidas aos visitantes. Para refeições mais completas, desça até a Vila de São Jorge, onde há diversos tipos de restaurante.

Onde se hospedar – Para visitar o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e os Saltos do Rio Preto, a base de hospedagem mais próxima é a Vila de São Jorge. Como a entrada do parque está praticamente dentro da vila, não se perde tempo de deslocamento para chegar até lá. Outra ideia é ficar na cidade de Alto Paraíso.  

Dias e horário de funcionamento – O Parque está aberto todos os dias da semana. Às segundas-feiras, as visitas só são permitidas para grupos acompanhados por guias. A entrada é permitida de 8 horas ao meio-dia. E a saída, até 18 horas.

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Larissa da Costa

Nascida em Porto Alegre e criada em Vacaria, na Serra Gaúcha, herdou dos seus pais a vontade de viajar. Advogada de formação, escritora de coração, aventureira por emoção, veio para a Europa em 2001 em busca de novos desafios e de seu lugar no mundo. Mãe de duas crianças, já trabalhou em diferentes áreas. Atualmente, escreve no seu blog Brasanha e em três outros.