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Artesol, a ONG que preserva e incentiva o artesanato de raiz brasileiro

21/01/2019 Larissa da Costa Terceiro Setor e Cidadania

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© Reprodução/ Site Artesol

Fundada em 1998, incialmente como um programa de combate à pobreza em regiões castigadas pela seca no nordeste brasileiro, o projeto cresceu, tomou a forma de ONG, com o intuito de preservar e incentivar o artesanato de raiz nacional, e hoje, através da plataforma digital Rede Artesol, conecta e divulga o trabalho de mais de 124 artesãos, lojas e associações de norte a sul do país. 

Mas o que é o artesanato de raiz? Artesanato de raiz é o trabalho que envolve tradição, passado de geração a geração, como todo tipo de trançados, entalhes de madeiras, trabalhos de cerâmica que têm cuidado com a terra, bordado de raiz cultural, rendas, tecelagem em que não é usado nenhum maquinário industrial e tudo o que é feito com reciclagem.  

A importância de valorizar esse tipo de artesanato é fundamental, pois são milhões de brasileiros que trabalham com isso e têm problemas financeiros, dependendo, inclusive, de ajuda social para a sobrevivência. Um dos grandes desafios da Artesol é profissionalizar o trabalho artesanal e torná-lo principal fonte de renda para as gerações vindouras, pois os filhos dos artesãos não querem continuar o trabalho dos pais porque enxergam o artesanato como coisa de gente pobre e sem futuro. Um dos objetivos da iniciativa é mostrar a essa geração que ela não precisa ser necessariamente um artesão, mas pode atuar como gestor para que os trabalhos da família e conhecidos sejam vistos como negócio.  

A Artesol se baseia em quatro pilares: capacitação (estimula grupos produtivos a gerir de forma eficiente suas iniciativas e a utilizar novas tecnologias de comunicação e comercialização); fomento cultural (realizando exposições, festivais e seminários para o público em geral); fomento econômico (apoiar a comercialização da produção artesanal dos grupos, buscando a formação e a ampliação e fortalecimento de um mercado consumidor sensível para os princípios do comércio justo) e políticas públicas (influenciar a criação de políticas públicas para a organização e fortalecimento do setor artesanal). 

Desde 2014 sob o comando de Sonia Quintella, que deixou a carreira executiva como diretora do grupo Gucci no Brasil para trabalhar na ONG, a iniciativa ganhou novo impulso com o lançamento da Rede Artesol, a plataforma digital que conecta os artesãos, mestres, artistas populares, associações, espaços culturais, lojas ou instituições de apoio e fomento. Para fazer parte da rede, é preciso atender a critérios estabelecidos pela iniciativa que vão desde trabalhar com saberes locais e técnicas tradicionais até a não utilização de mão-de-obra infantil. Os participantes são selecionados por equipes da ONG que viajam pelo país em contextos totalmente diversos, de aldeias indígenas a vilas de pescadores, passando por quilombos, assentamentos da reforma agrária e comunidades ribeirinhas, entre outros.

Além da plataforma digital, a Artesol gerencia a loja física Artiz, localizada no Shopping JK Iguatemi em São Paulo. O projeto tem o objetivo de promover o comércio justo e ético de peças cuja sofisticação está na autenticidade e exclusividade do design artesanal brasileiro.  

© Reprodução YouTube

Em comemoração aos 20 anos de existência, a Artesol realiza até o final de janeiro de 2019 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro o festival Artesol. O festival celebra a diversidade das técnicas e das matérias-primas brasileiras. Todos os  artistas reunidos na exposição trabalham com materiais naturais que eles mesmo coletam dos mais diferentes biomas do Brasil. São telas bordadas; trançados com fibras da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica e Pampas; potes de cerâmicas inspiradas na arte rupestre; sandálias de couro da cultura sertaneja e muito mais. Além disso, são realizados seminários, fóruns de discussão, feiras e oficinas.  

A iniciativa Artesol é apenas uma entre tantos outros projetos para salvaguardar e promover o artesanato de raiz brasileiro. Segundo a presidente da ONG, Sonia Quintella, a preservação do artesanato brasileiro é de suma importância, pois “precisamos contar uma nova história do Brasil e o nosso artesanato, que é espetacular, pode servir para isso. Temos uma herança tríplice – europeia, indígena e africana – que confere um caráter único e muito rico às obras brasileiras.” 

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Larissa da Costa

Nascida em Porto Alegre e criada em Vacaria, na Serra Gaúcha, herdou dos seus pais a vontade de viajar. Advogada de formação, escritora de coração, aventureira por emoção, veio para a Europa em 2001 em busca de novos desafios e de seu lugar no mundo. Mãe de duas crianças, já trabalhou em diferentes áreas. Atualmente, escreve no seu blog Brasanha e em três outros, além de ser colaboradora no projeto Carlotas.